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19
Abr
09

Planejar e atender (ao mesmo tempo e bem): num deu.

Hoje é dia do índio. E em homenagem a isso vou falar de um programa de índio: fazer duas coisas ao mesmo tempo e bem. Aquela coisa de assobiar e chupar cana, como falmos por aqui… Pois é: estamos tentando isso com o Atendimento (Account Management ou Gerenciamento de Contas – uma área de negócios) e o Planejamento (Uma área estratégica da comunicação – o planejamento de Contas ou Account Planning).  Nós, publicitários temos nos esforçado nisso: o atendimento muitas vezes é mau visto pelos criativos, já o planner é um cara mais cool… Pode ser. Nem sempre é, pelo contrário: às vezes o planejamento dá sempre aquele gosto amargo de realidade as propostas da agência.

Quando era estudante (lá pro meio da década de 1990, num faz tanto tempo assim…) A aposta era a fusão de atendimento e planejamento na propaganda. Na cola da Talent que tinha como cabeça um cara de planejamento, imaginou-se num formato enxuto que as agências funcionariam bem com atendimentos que planejavam e planejamentos que atendiam. Eu acho que num deu. Mas vou explicar como penso. Bem gosto sempre de ouvir outras opiniões. Tem a minha queridíssima Fischer, América que aboliu o atendimento contando com Planners na linha de frente. Na verdade os planners em si sempre contam com assistentes que, por sua vez, terminam fazendo o serviço estafante e operacional dos atendimentos. Falo isso sem ironias, pois acredito que uma das grandes mentes da propaganda brasileira é o Eduardo Fischer. E realmente a área de atendimento está numa crise de identidade. Se tivesse que apostar numa fusão entre as áreas seria sob esse ponto de vista. Mas não tenho enxergado neste modelo uma fusão de operações, mas no planejamento gerenciando o atendimento. Olhando para Pernambuco vejo as agências locais que entregaram as missão de planejar, muitas vezes, a quem atende (salvo raras e honrosas exceções).  O problema é que quem já foi atendimento sabe que a rotina operacional de atender suga todas as perspectivas de tempo para pensar no cliente: de passar um job (fazer o pedido para criação, falar com a mídia, gerenciar prazos, etc.) até a controlar reuniões de uma carteira que dificilmente é enxuta, o atendimento termina sufocando o planejamento como atividade estratégica. Pensar fica no segundo plano. A operação sempre tem questões urgentes que tomam o tempo de quem trabalha. Eu sei disso: fui diretor de Atendimento e Planejamento na extinta Creatto e sei que não dá pra fugir. Mea culpa minha também. E por que a gente tenta assim mesmo? Custo! Custa caro planejar. E como vivemos a contar centavos em contas cada vez menos rentáveis, já viu. Precisamos pensar que num deu. A experiência foi legal, mas acho que é hora de ter departamentos distintos funcionando bem, pois planejamento não é mais diferencial, é mercadoria básica da agência de propaganda. E, desculpas ao cliente, ma esta conta é dele.  Não dá pra ficarmos acuados: resultados pressupõem pensamento estratégico. E velocidade nos prazos requer uma operação ágil que só umbom departamento de atendimento pode dar. Quer os dois?  Tá na hora de encarar custos. Agora nós temos nossa parcela de culpa. Temos agências com atendimídias, produção e mídia e por aí vai. Fusões de áreas. Eugências (agências de homem só). A indústria da propaganda vem trabalhando fundo nos últimos 160 anos para dividir as missões, num dá pra querer reinventar a roda só pra economizar. As agências locais tem que se repensar como negócio: desenvolver diferenciais, atender mercados e demandas específicos. Senão seremos quase sempre versões compactas de uma agência maior e melhor. E não acho isso uma proposta viável para construir um negócio saudável para o futuro. Você acha que dá sim? Comenta aqui… Pra mim, já foi.

26
Mar
09

Investimento? Propaganda é custo fixo.

Eu acho muito legal questionar alguns cânones sem fundamento que rolam no nosso meio. O mais absurdo de todos foi a eufemização do gasto em publicidade e propaganda. Ficou convencionado dizer que era um investimento, pois dava retorno para marca, que não podíamos encarar a propaganda como gasto. A idéia era meio que passar a perna no cliente: olha, você não tá gastando, esse dinheiro vai voltar para você.

O que ninguém lembra é que investimento é uma questão de escolha e momento, tem horas que dá pra investir e outras que não. Não muito à toa, quando se tem uma crise alguns empresários pensam: hora de cortar investimentos e pensar no indispensável… Bem, lá se vai a propaganda. Depois da crise, todos sabemos, o investimento é o último a voltar, portanto… Eis nosso próprio estratagema engraçadinho se voltando contra nós.  Dizer que propaganda é investimento (por conta do retorno) é nonsense. É como dizer que uma indústria está investindo ao comprar matéria prima. É como dizer que a Coca-Cola fez um grande investimento em açúcar, pois ela vai virar refrigerante e retornar como recursos para empresa. Ou que a Vitarella está investindo em trigo como se ela tivesse alguma escolha.

Propaganda é uma despesa que num mundo de alta competitividade não dá para deixar de estar entre as principais das corporações. E quanto mais competitivo o segmento, e quanto mais dependente do varejo, mais indispensável. Não dá para nenhuma empresa dizer: “pessoal, esse mês vamos economizar na luz elétrica! Vamos funcionar só na luz de vela e sem computador”. Ou para a linha de montagem da Pomarola dizer: “esse mês a gente tem tomate, mas num vai ter tempero nenhum para colocar no molho. Mês que vem a gente coloca”. Vai que a Vivo decide – “Que tal ficar só uns três meses sem propaganda nenhuma…” Não é nem ao menos razoável acreditar nesta possibilidade. Portanto não tem nada de investimento, é um custo fixo, tem que ter sempre.

O problema é sério pois não dá para encarar esta despesa como supérflua: ela tem que estar nos planos de negócio de uma empresa em implantação, nas perspectivas de lançamento de um novo produto e na manutenção e expansão de carteiras de clientes de empresas de serviço. A comunicação persuasiva sistemática tem que fazer parte do orçamento das empresas não por ser um investimento, mas por ser parte fundamental da operação de qualquer negócio no mundo contemporâneo. 

E Propaganda não é investimento? Vá lá que uma campanha institucional ou determinadas ações possam ser encaradas assim, mas a exposição sistemática que as marcas e organizações precisam ter fazem parte da matriz de despesas da empresa, independente do fato de elas gerarem retorno. Assim como um funcionário pode ser bom ou mau para a empresa temos que gerenciar suas ações para que eles alcancem o que esperamos. Se ela não está sendo funcional, demita a má propaganda e contrate a boa. Agora sem nenhuma não dá pra ficar.

09
Fev
09

A Crise e as marcas, ou melhor, as Marcas sem crise

Em tempos de crise é comum as pessoas se queixarem que para conquistar mercado apenas preço é o que importa. É como ficar numa espécie de animação suspensa: não existe saída, a lucratividade irá cair e é melhor esperar para fazer investimentos na marca e na comunicação destas marcas. O que ninguém diz que a (na maioria das vezes) o início desta miopia está na preguiça gerencial. E isso é muito simples de entender, deixe-me contar: com a crise se vende menos e ninguém quer perder share de mercado. Para enfrentar se reduz o preço, o que reduz a lucratividade e a receita das empresas. E aí em vez de entender, investir em inovação, marcas e correr riscos é melhor cortar. Se eu cortar aquele investimento que parece inócuo em comunicação e ferramentas de alavancagem de marca eu não preciso me preocupar com todas essas outras coisas que tanto dão trabalho e exigem talento, paciência e coragem para correr certos riscos. É melhor cortar e dizer: – “Esta crise!”. Sempre vai ter um eco dizendo “É, a coisa tá séria, tá atingindo todo mundo…”. E entre balançares pesarosos de cabeça, nada além de alguns suspiros fundos vão surgir.

Parabéns aos menos ousados. Pois particularmente para estes a crise é ótima, afinal, ela é como o monstro de Lost: ninguém sabe o que é, de onde veio e o que vai fazer com fazer, mas ela quer te pegar. E quando pegar, Ahh! Quando pegar…

O que ninguém comenta é que grande marcas, sentem menos a crise que marcas fracas. Ainda melhor: marcas que firmam pactos claros com seus públicos parecem que pairam sobre a crise, acima de tudo e de todos. Quem me comentou outro dia isto aqui no Blog foi um grande amigo, Eden (clica e lê o blog ). E aí toda sorte de abobrinha de auto-ajuda empresarial é construída para vender livros e dizer como vencer nos tempos de crise… Aproveitar oportunidades… e por aí vai.

E o que pode tornar uma marca blindada? Na verdade nada “blinda” uma marca, mas investir nela a torna mais forte e cria uma identidade particular para a emprsa que transcende o produto. O problema, meus caros,  é que isto leva tempo. Construir a identidade de marca requer cuidado diário, metas claras e um gerenciamento de marketing que não permite paroquialismos e exige energia para decidir e recursos para gastar. Ninguém consegue construir e manter uma marca como MacGyver: com dois fósforos, um barbante e um chiclete.

Quando olhamos para a Apple vendendo iPhones 3G em pleno Natal da Crise, Nintendos Wii acabando nas prateleiras e a Heinz (isso mesmo, aquela do catchup) anunciando crescimento de lucros, estamos diante de uma verdade. Em tempos de crise você pode até migrar para algo mais barato. Se você achar que sua marca não vale a pena. A questão é – boas marcas sempre valem a pena: elas tem algo que o dinheiro não compra – identidade.

Acho que isso torna tudo muito mais claro e – infinitamente – mais difícil, em especial se você comparar com cortar custos numa planilha.

15
Nov
08

Alex Primo Rules [academico]

Se uma coisa valeu a pena na minha estada a semana passada no ABCIBER foi conhecer melhor o trabalho de Alex Primo. O cara faz um trabalho muito legal sobre blog, partindo de um pressuposto que eu concordo totalmente. Enquanto muitos pesquisadores dizem que Blog é um gênero dentro da Web, Primo trabalha hoje para consolidar o blog como um meio e desenvolver uma tipologia de quais são os diferentes gêneros de blogs. Um trabalho bem consistente, inclusive com um base de análise extensa. Bom demais. Como se não bastasse, o cara ainda faz apresentações lindas e interessantes(valendo até um gracejo do presidente da mesa que deu pra ele o título de mago do Power Point). Mas, poxa, por que todo trabalho acadêmico tem que ser apresentado com uns slides horrorosos? Tá certo o Primo, que não cansa uma platéia com uma apresentação que em vez de facilitar o entendimento do conteúdo, dificulta. Bem, de qualquer forma vale a pena olhar no site do Primo (www.alexprimo.com) o texto publicado para o simpósio da Abciber – “Blogs e seus gêneros: Avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em língua portuguesa” e entender como foi feita a pesquisa e seus primeiros resultados.

uma das melhores da Abciber.

Mesa da Abciber com Sandra Portella Montardo (FEEVALE), Alex Primo (UFRGS) e Yara Rondon Guasque Araujo (UDESC): uma das melhores do Simpósio da Abciber na PUC-SP.

Nessa mesma mesa do Alex Primo, outro trabalho legal sobre blogs, desta vez da FEEVALE (os gaúchos tão com tudo, só pra Fontanella ficar prosa): Sandra Portella Montardo veio com um trabalho sobre imagens em blogs, particularmente comentando fotologs. Gostei demais. Ela tinha presidido minha sessão onde apresentamos um trabalho sobre Mídia do Eu (CGM) com Karla Patriota. Vai valer outro post mais pra frente, para vocês conhecerem um pouco deste nosso novo trabalho.

De um jeito ou de outro valeu estar por lá e ver que estamos participando de um evento que consolida o estudo e a discussão sobre a Cibercultura no país.

Ps: Putz, ninguém fala <çáibercultura>, só falam <cíbercultura>. Me senti tão gringo…

12
Nov
08

Ultrassegmentação e Propaganda [academico]

Participei de um evento muito legal na UFPE semana passada, idealizado, realizado e “ralado” pelos alunos da UFPE. Isso é uma coisa que eu sempre admirei – o aluno ir atrás para montsr os eventos para ampliar sua formação básica na academia (tem aluno que acha que tem que receber tudo prontinho). O legal mesmo foi a fala do Flávio para mim: – “Ah, Duguay, a gente num quer aquela coisa feijão com arroz falando de planejamento, mídia, das área. Fala alguma coisa nova, tendências…”. Fiquei instigado. Tô fazendo uma pesquisa sobre os efeitos da segmentação no mundo moderno, ou melhor, sobre o nível extremo de segmentação dos mercados. Tem um poquinho de Giddens, de teoria da Segmentação, de branding… Aí fui lá com a cara e a coragem dar uma de sabido e falar sobre o assunto.

Bem, uma coisa que notei bem é que a gente tá com pouca paciência pra discutir conceitos básicos, mas são necessários. Hoje as pessoas querem partir de um conceito chave, simples e ficar por ali, ninguém quer debater os assuntos clássicos. Talvez por isso se discuta pouco ultrassegmentação e subsegmentação, que mais parecem uma segmentação revisitada – e não são.

Um trabalho do livro Branding da Atlas (bem legal por sinal) do Malthouse/Calder fala sobre estes conceitos de forma simples e muito clara – a segmentação parte da adesão ou não a uma idéia de marca (ou Brand Idea, para afrescalhar). Enquanto um segmento de mercado é um grupo-alvo, isolado de um universo maior, que se acredita ser receptivo a uma determinada Brand Idea (este grupo valoriza esta idéia de marca e são solidários nesta lógica), um subsegmento teria a mesma lógica dentro de um segmento. Seria uma fatia da fatia.

A subsegmentação parte do princípio que no mundo de saturação de marcas é preciso dividir um segmento de mercado em outros menores com índices distintos de adesão e percepção desta brand idea. Uma idéia simples mas que foi levada ao seu limite a partir da década de 1990, especialmente quando fusões e incorporações colocaram muitas marcas rivais sobre o mesmo guarda-chuva. Em vez de perder marcas, preferiu-se muitas vezes subsegmentar e dividir mercados.

O conceito de ultrassegmentação que estou construindo é um pouco distinto disto e tem implicações maiores na propaganda. A idéia deste conceito é o parâmetro extremo de modernidade que Giddens coloca em seus trabalhos. Se estamos vivendo uma modernidade extrema e a segemntação é uma conseqüência desta modernidade nos produtos e marcas, já estaríamos vivendo uma era de ultrassegmentação.

Os ultrassegmentos são segmentos de segmentos utilizando-se parâmetros híbridos: um exemplo é o uso cada vez maior de combinações demográficas e comportamentais simultaneamente. É, na verdade, uma forma extrema da subsegmentação tradicional e não um tipo diferente de segmentação ou subsegmentação. Enquanto a subsegmentação geralmente é feita a partir do uso de um princípio de segmentação em um grupo já segmentado, um ultrassegmento usa vários princípios destes combinados, criando uma relação particular única com o produto. Existe por exemplo, gente que gosta da série Jornada nas Estrelas. Existem também fans mais ardorosos. Mais quando analisamos um ultrassegemento como os trekkers, existem muitos elementos comportamentais, demográficos e etários combinados que podem defini-los, mas o conceito vai muito além de qualquer uma dessas subsegmentações. Só uma análise qualitativa e comportamental pode ajudar alguém a entender algo como isso.

A ultrassegmentação cria muitas questões para a publicidade. A primeira delas é que a subsgementação tradicional pode se utilizar muito bem de veículos de massa – e somente eles. Revistas especializadas cobrem bem muitos destes públicos. Eles podem se utilizar praticamente das mesmas estratégias de construção enunciativa que a propaganda comum, pois ela já leva em consideração questões importantes das particularidades do nosso famoso “público-alvo” (o Mr. Target). Já a ultrassegmentação não.

Não dá pra encarar um cosplayer só como um fã de animes/mangás. Existe toda uma questão que envolve este ultrassegmento que interfere diretamente em questões como publicidade.

Não dá pra encarar um cosplayer só como um fã de animes/mangás. Existe toda uma questão que envolve este ultrassegmento que interfere diretamente em questões como publicidade.

Não dá para falar com um cara do Cosplay sem entender como ele funciona. Não dá pra entender um jogador de World of Warcraft como quem diz – predominantemente masculino, gosta de games RPG e do universo ficcional de Tolkien. É preciso uma dinâmica de planejamento de comunicação focada em informações mais precisas, e numa metodologia criativa diferenciada. Acabou a era do anúncio com título-foto-texto.

Se a perspectiva é cada vez mais customizar, cada vez mais teremos que fazer análises ultrassegmentadas. Como vai ser isso? Tem muita coisa rolando, mas de uma coisa eu tenho certeza. Fazer propaganda vai ficar bem diferente.

30
Set
08

Publicidade ou Propaganda: falta do que fazer.

Eu fico impressionado com a falta do que fazer de alguns acadêmicos e pouca sensibilidade com a dinâmica da língua. Ou mesmo da nossa atividade, para ser mais franco. Antes que eu seja crucificado ou esquartejado pelos professores de graduação como eu, calma. Eu vou explicar.

Veja só, peguei alunos de outro estado, esta semana, querendo me entrevistar para saber se as ações virais em internet estavam mais para publicidade ou propaganda. Aí a gente vai para o bom e claro português. Os maiores dicionários da nossa língua dizem que um é usado como sinônimo do outro. O que nos diz que, na melhor das hipóteses, um usuário médio da língua não vê diferença nos dois termos.

Do outro temos alunos muito novos, recém-chegados na graduação, que em vez de receber algumas referências interessantes, propostas de leituras mais instigantes ficam decorando coisas como as seguintes:

  • Propaganda seria a mensagem advinda de anúncios e peças publicitárias. Neste sentido tudo aquilo que é feito de forma paga para se receber publicidade.
  • Publicidade seria o conjunto formado por veículos, agências, RP, etc. Daí coisas como meio publicitário, peças publicitárias. Já alguns determinam que esta englobaria todas as ações de comunicação recebidas destes meios de forma espontânea, não paga. ( o que já torna o início desta frase sem sentido, uma vez que temos a impressão que a Publicidade engloba a Propaganda e a propaganda não é paga)… 

E aí vamos por um bolo de discussões e conceitos que nos levam a conclusões desprovidas de qualquer sentido prático, como que a propaganda é somente uma das formas de se fazer e receber publicidade. 

(paro e respiro)

Aí me volto para o velho Ries/Trout (Posicionamento), que no final da década de  1970 estavam discutindo coisas muito mais interessantes, como, por exemplo, o fato de que a marca e sua presença na mente eram mais importantes que a peça em si. Passamos toda a década de 1980 desenvolvendo metodologias de mídia que foram por terra na década 1990. Estamos lidando cada vez com coisas como Viral Marketing, ARGs publicitários (jogos de realidade alternativa), Ações de ativação de marca… Pra que insistir em a criar uma diferença se o produto deste novo comunicador com foco persuasivo (publicitário) não é mais só um anúncio? Pra que tornar mais complicado isso?

Que se dê um conceito histórico, que se peça aos alunos para entender que num determinado momento se quis diferenciar os dois tudo bem. Mas a discussão aí é tão relevante quanto o sexo dos anjos ou se a galinha veio antes do ovo.

E aí eu pergunto: uma ação produzida especialmente e colocada no You Tube é propaganda pois pagaram-se atores, produtores, etc (menos o veículo). O resultado dela, no entanto, vem do buchicho de quem não recebeu um tostão para isso. Isso é publicidade ou propaganda?

Eu respondo: vamos estudar o objeto, seus resultados, seus desdobramentos e mensagens. Esqueçam a taxinomia dos termos, a criação de tipologias apenas por criá-las. A língua já definiu que tudo é muito próximo. Cabe aos publicitários e acadêmicos estudar este objeto e apontar caminhos relevantes para obter mais resultados e entender seu funcionamento. O que for a mais é falta do que fazer.

24
Jul
08

Web 3.0: Por uma nova inteligência de mídia [academico]

Eu e Karla Patriota emplacamos um artigo no Intercom deste ano – Núcleo de Pesquisa de Propaganda – Sobre a Web 3.0 . Não eu não troquei o número – tô falando da 3a geração da Web. Estamos falando de uma web que ainda vai ser construída, que só existe em instâncias laboratoriais. Numa época de produção de conteúdo colaborativa e do auge da web 2.0, fica difícil muita gente entender porque diabos alguém de propaganda quer discutir isso. ” Isso é coisa pro pessoal de tecnologia”, dizem alguns. “Precisamos ver isso aplicado”, falam outros. Mas eu acho que não. Aliás, acho que a hora da gente embarcar nesta é agora, e eu vou explicar meus porquês.

Pra começar temos que entender de onde viemos e a essência do que vivemos hoje: as webs 1.0 e 2.0 (ficam com esses nominhos assim engraçados por conta de quem nomeou as ondas, imitando números de versões de programa… Eu prefiro primeiro e segundo paradigma de uso. Mas isso aí já é frescura de pesquisador…).

O primeiro paradigma – a web 1.0 é baseada na capacidade de convergir mídias e colocar a informação em inúmeras camadas. É o começo da web, todo muito deslumbrado com tudo. Os publicitários estavam meio divididos; eu, como ainda era estudante e gostava de tecnologia, adorava tudo. A divisão era a seguinte: enquanto uma parte do pessoal dizia que era uma curiosidade passageira, outros pregavam o fim de todos os outros meios, a revolução total. No meio dessa discussão poucas agências fizeram um trabalho sério e inovador para essa primeira onda de publicidade. Isto ficou muit mais a cargo das produtoras web (ou agências web), que na época eram formadas prioritariamente por gente de TI ou design. Poucos eram os profissionais de comunicação com maior vivência que apostaram naquilo. Como, com pouco tempo, ficou impossível de fugir da coisa, as grandes empresas de comunicação e os conglomerados de propaganda começaram a comprar essas empresas de produção para internet (sempre pensando em não perder faturamento e muito pouco em entender e investir no desenvolvimento da mídia). O resultado: a web virou uma aberração para propaganda, com formatos publicitários completamente descolados de sua proposta. Dessa Época brotam os pop-ups, os banners, os botons e todo tipo de publicidade invasiva, dentro do conteúdo interativo. Bem, existem exceções. Ferramentas de viral começaram a surgir ali. Vários hotsites (sites temporários, sobre um tema específico, geralmente focados em publicidade/promoção) tem suas raízes conceituais nesta época. Mas no geral a gente transformou a web numa mídia impressa com um toque de vídeo.

Sobre essa época uma boa amiga minha, Viviane Toraci, fala algo muito legal: que a publicidade na web é tridimensional. Ela fala em seu mestrado sobre diversas camadas de informação e que os publicitários não estavam sabendo usar essas camadas. Ela estava certíssima. Tanto que logo depois dela falar isso (lá pra 2002/2003), começou o boom de uma nova web: a colaborativa. neste novo paradigma em vez de Três, temos quatro dimensões muita claras: o conteúdo passa a ser uma dimensão que gera uma profundidade virtualmente infinita. A informação deixa de estar exposta em níveis e passa a ser produzida em níveis. Legal isso, né? Pois então é o que estamos vivendo hoje com os blogs, youtubes e mil ferramentas superóbvias disso. Desta época também são as ferramentas como comunidades de relacionamento (uma delas, a febre brasileira chamada Orkut). O mais legal é que a web 2.0 é um grande laboratório, uma plataforma onde as pessoas passam a produizr um conhecimento coletivo e não apenas vão buscar informações.

Com isso todo tipo de experiência colaborativa passou a ser interessante para a publicidade: ARGs, Blogs, Viral Marketing, Videos para web, Concursos focados em produção de conteúdo, Foruns. A publicidade se travestiu de indivíduo para ficar mais confiável. O site www.jatenteidetudo.com.br é um exemplo disso – disfarçada de blog ela me fez ficar dez dias querendo saber o que a moda ia colocar no cabelo, que ao final Dove iria ser o responsável por seu sucesso… Epa: num é blog. É propaganda. Não é entretenimento mórbido ver a menina se sujar, mas o objetivo do cara que fez o blog. No entanto pra muitos pouco importa: o conteúdo basta. Para outros este travestismo da propaganda significa ultrapassar os limites éticos. Bem, meu post não tem como objetivo defender nenhum ponto de vista em especial, mas falar sobre outra coisa: a fragmentação da atenção. Ou pior – a inflação da desatenção.

A Web 2.0 produz muito conteúdo, mas muito lixo também. Fazer uma busca hoje num google não é mais como nos tempos de “Cadê?”. A infoprmação é produzida numa escala enorme, e nunca conseguimos acompanhar a quantidade de dados produzidos. Eu mesmo: até a pouco menos de um mês atrás eu não escrevia um blog. Portanto não enchia ainda mais a web e as ferramentas de busca de dados e links. Portanto achar o que você quer, hoje, é muito mais difícil que antes, mesmo que se tenha muito mais informação.

Mas você diz: ah, mas tem os tags e tantas informações que ajudam a filtrar as páginas… Você termina achando o que você quer… Eis o problema – além da perda de tempo na busca, os tags hoje são uma ferramenta analógica e meio burrinha. Os tags que eu escolhi pode não ser os ideiais para o seu vocabulário. Este meu post está como discussão acadêmica, focado num aluno de graduação. Mas estes meus comentários prum cara de mestrado ou doutorado estão mais pra bate-papo. E aí? Como ficamos?

Hoje temos empresas voltandas para minerar dados nesta imensa nuvem de dados que é a web. A busca de tendências (trendding) e a mineração de dados (data mining) são ferramentas recorrentes das empresas de comunicação antenadas com o mais novo em planejamento e mídia. Mas o processo ainda é lento e delicado. É aí que surgem as perspectivas de uma nova Web: a Web semântica – ou seja, a Web 3.0.

Segundo Eric Schmidt (CEO da Google), esta nova geração – a Web 3.0 – será formada por aplicações que conversem entre si. Serão relativamente pequenas e rodarão em qualquer dispositivo, tanto PCs quanto telefones móveis, indicando para o futuro promissor dos computadores inteligentes da Web 3.0. Nesta web os computadores não apenas armazenarão informações, mas entenderão seu conteúdo, conseguindo relacioná-las de forma automática. Teremos portanto mais uma camada dentro da internet – outra dimensão – a do sentido.

Isto vai mudar a maneira da mídia trabalhar. Coisas como links patrocinados ou Banners serão muito arcaicos para esta tecnologia, apesar de acreditar que elas ainda vão existir. Você pedirá informações sobre um pacote de viagens e o computador, com base no seu perfil e nas suas características saberá que, por ser noivo você provavelmente gostaria de um roteiro mais romântico. Ou por ser casado e com filhos, prefere um local para toda a família.

E onde entra a Inteligência de Mídia? Hoje o Planejamento demanda muita informação, o que alimentou o crescimento das áreas de inteligência de mercado. Começar a traçar os desenhos da próxima onda, a área de inteligência de mídia seria uma proposta essencial para a construção de departamentos de mídia mais maduros e antenados com um mundo de mídias digitais em constante evolução tecnológica.

Dessa forma, a idéia da área de inteligência de mídia seria a de monitorar tendências de mercado e propor ferramentas de mensuração dos resultados e audiências em um novo ambiente de produção, verdadeiramente multifacetada, e exposição de marcas em uma atmosfera de fragmentação extrema de audiência.

Será que conseguiremos isto?

Volto a falar sobre propaganda e web 3.0 no meu próximo post acadêmico. Até.

 

PS: como bom blogueiro de primeira viagem vou incluir meu site no Google Adsense… Mesmo sendo invasiva vai lá que esta mídia me dá umas idéias…




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