Hoje é dia do índio. E em homenagem a isso vou falar de um programa de índio: fazer duas coisas ao mesmo tempo e bem. Aquela coisa de assobiar e chupar cana, como falmos por aqui… Pois é: estamos tentando isso com o Atendimento (Account Management ou Gerenciamento de Contas – uma área de negócios) e o Planejamento (Uma área estratégica da comunicação – o planejamento de Contas ou Account Planning). Nós, publicitários temos nos esforçado nisso: o atendimento muitas vezes é mau visto pelos criativos, já o planner é um cara mais cool… Pode ser. Nem sempre é, pelo contrário: às vezes o planejamento dá sempre aquele gosto amargo de realidade as propostas da agência.
Quando era estudante (lá pro meio da década de 1990, num faz tanto tempo assim…) A aposta era a fusão de atendimento e planejamento na propaganda. Na cola da Talent que tinha como cabeça um cara de planejamento, imaginou-se num formato enxuto que as agências funcionariam bem com atendimentos que planejavam e planejamentos que atendiam. Eu acho que num deu. Mas vou explicar como penso. Bem gosto sempre de ouvir outras opiniões. Tem a minha queridíssima Fischer, América que aboliu o atendimento contando com Planners na linha de frente. Na verdade os planners em si sempre contam com assistentes que, por sua vez, terminam fazendo o serviço estafante e operacional dos atendimentos. Falo isso sem ironias, pois acredito que uma das grandes mentes da propaganda brasileira é o Eduardo Fischer. E realmente a área de atendimento está numa crise de identidade. Se tivesse que apostar numa fusão entre as áreas seria sob esse ponto de vista. Mas não tenho enxergado neste modelo uma fusão de operações, mas no planejamento gerenciando o atendimento. Olhando para Pernambuco vejo as agências locais que entregaram as missão de planejar, muitas vezes, a quem atende (salvo raras e honrosas exceções). O problema é que quem já foi atendimento sabe que a rotina operacional de atender suga todas as perspectivas de tempo para pensar no cliente: de passar um job (fazer o pedido para criação, falar com a mídia, gerenciar prazos, etc.) até a controlar reuniões de uma carteira que dificilmente é enxuta, o atendimento termina sufocando o planejamento como atividade estratégica. Pensar fica no segundo plano. A operação sempre tem questões urgentes que tomam o tempo de quem trabalha. Eu sei disso: fui diretor de Atendimento e Planejamento na extinta Creatto e sei que não dá pra fugir. Mea culpa minha também. E por que a gente tenta assim mesmo? Custo! Custa caro planejar. E como vivemos a contar centavos em contas cada vez menos rentáveis, já viu. Precisamos pensar que num deu. A experiência foi legal, mas acho que é hora de ter departamentos distintos funcionando bem, pois planejamento não é mais diferencial, é mercadoria básica da agência de propaganda. E, desculpas ao cliente, ma esta conta é dele. Não dá pra ficarmos acuados: resultados pressupõem pensamento estratégico. E velocidade nos prazos requer uma operação ágil que só umbom departamento de atendimento pode dar. Quer os dois? Tá na hora de encarar custos. Agora nós temos nossa parcela de culpa. Temos agências com atendimídias, produção e mídia e por aí vai. Fusões de áreas. Eugências (agências de homem só). A indústria da propaganda vem trabalhando fundo nos últimos 160 anos para dividir as missões, num dá pra querer reinventar a roda só pra economizar. As agências locais tem que se repensar como negócio: desenvolver diferenciais, atender mercados e demandas específicos. Senão seremos quase sempre versões compactas de uma agência maior e melhor. E não acho isso uma proposta viável para construir um negócio saudável para o futuro. Você acha que dá sim? Comenta aqui… Pra mim, já foi.


