Morreu ontem Italo Bianchi, o seu Italo como muitos de nós, mais novos, aprendemos a chmá-lo. Não que ele gostasse ou fizesse questão de pompa. Com certeza, Italo, foi o nome maior da publicidade pernambucana no século XX, não apenas pela notoriedade e respeito que alcançou no mercado nacional, mas particularmente por sua incrível capacidade de formar novos e grandes talentos. Tinha uma grande admiração pelo conhecimento, e fazia com que os que estivessem ao seu lado compartilhassem deste sentimento. Artista e apaixonado pela história das artes plásticas, ministrou algumas turmas de um fantástico curso sobre o tema para publicitários – uma delícia vê-lo falando… dava vontade de ficar o dia todo só ouvindo.
Levava a língua e a publicidade a sério. Certa vez, ainda estava na Creatto (nesta época prestava consultoria a Ampla), mandou um fax para agência reclamando da grafia dos pratos em italiano de uma pizzaria que atendíamos à epoca. Primeiro fiquei cismado: – que é que ele tem com isso… Com pouco tempo percebi que aquele homem levava muito, muito a sério tudo o que fazia. E me mandou mais um texto me dando uma lição de italiano, português e – de quebra – de culinária. Só com uma coisa não tinha muita paciência – gente limitada, talvez daí a fama de mal-humorado.
Aos 84 anos, o mais pernambucano dos italianos foi vítima de um câncer no pulmão. Italo trabalhava nos últimos tempos como consultor de comunicação da Maurício de Nassau, além de ser cronista bissexto. É daqueles homens que você, mesmo que vendo poucas vezes, consegue esquecer muito pouco.
Com certeza deixa amigos e muitas saudades.


