Ontem estava com Moema Luna e uma equipe de jornalista numa mesa redonda sobre marcas no Jornal do Commercio. Discussão muito legal que vai sair no encarte do JC Recall de Marcas. Quanto aos vencedores… surpresa, né! Só quando sair a publicação em novembro. Também estavam lá os professores Salomão da UFPE e minha querida Michelle Kovaks, colega de longa data. O papo sobre marcas foi longe, daí minha vontade de fazer meu comentário novo no Blog.
Estou vendo um livro ótimo do Marc Gobé (quem gosta de marcas e não viu nada dele, precisa ver). Ainda não está traduzido para o português, mas devem se animar logo para trazer algo dele. O livro chama-se Brand Jam, e fala antes de tudo sobre a saturação das marcas no mundo contemporâneo. Mas, mais que mostrar o problema, Gobé fala sobre como a relação emocional que as pessoas tem com suas marcas é capaz de driblar esta saturação e criar uma relação entre pessoas e empresas, numa instância de mercado muito mais plena e complexa do que a escola feijão-com-arroz dos 4 Ps.
Para quem não conhece Gobe ele já teve um de seus livros editados por aqui – o emotional branding (em português ficou “A Emoção das marcas” – uma tradução muito infeliz por sinal). Gobé é diretor da brand Image http://www.brand-image.com/, citada como das maiores empresas de criação de imagem de marcas. Com seu design emocional de marcas hoje, já atendeu a clientes bem inexpressivos como Coca-Cola, IBM, Reebok, Lancôme, Starbucks e Gillette, portanto vale a pena ouvir o que ele tem a dizer. Gobé traz um material que não é só blabla acadêmico, mas um texto inteligente de quem tem 25 anos de vicência no mercado.
Para Gobé criar relações entre as pessoas e as marcas é fundamental, pois as marcas tem um papel fundamental nas relações pessoais do homem contemporâneo. Quem já leu livros com “SEM LOGO”, tem uma impressão muitas vezes negativa do império das marcas, como algo imposto à sociedade que se transforma numa espécie de massa submissa ao consumo. Gobé coloca de forma muito lucida que, ao contrário, a marca emocional parte muito mais de uma necessidade que as pessoas colocaram às corporações que o contrário.
Apesar de ir muito além que as linhas deste post o que queria colocar para pensar aqui é: num mundo onde a competitividade é extrema e os produtos se parecem demais, pensar em design emocional de marcas deixa de ser uma proposta de futuro para ser uma questão de sobrevivência. Quem viver, verá.


