Arquivo para Fevereiro, 2009

24
Fev
09

Capoeira Legends: um bom projeto de jogo Nacional de Luta

Não deu pra olhar muito do jogo, mas dá pra ficar impressionado. Apesar do pomposo nome Capoeira Legends: path to freedom, a idéia do jogo é bem interessante. Primeiro  pelo fato de trazer um enredo nacional. Vivo dizendo que jogos eletrônicos tem se tornado um forma particular de arte, como os quadrinhos, com enredos complexos e direção de arte primorosa. Como sou meio gamer tem quem torça a cara na academia pra isso, e ache que é exagero meu…

Bem o projeto nacional custou pouco mais de R$ 1 milhão de reais (ou cerca de meio milhão de dólares). No mercado internacional um jogo de de luta de dez milhões de dólares é considerado standard, portanto este projeto é umas vinte vezes mais baratos. A equipe que produziu o Game levou impressionantes 16 anos para concluir o projeto, o que em si já vale a pena dar uma olhada.

O enredo é simples mas é nosso: nos arredores do Rio de Janeiro final do século XIX, capoeirista precisa defender suas comunidades (os mocambos) contra fazendeiros. (Só um adendo, eu achava que essas comunidades eram quilombos, mas tudo bem… Já que elas são realmente feitas de mocambos, aquelas casinhas de sapé…). O herói do game tem um nome bem, digamos, peculiar: Gunga Za (no site eles explicam que Za é lutador). 

Tela de Capoeira Legends no site oficial do Game

Tela de Capoeira Legends no site oficial do Game

O vídeo é em flash e não consegui colocar direto no site nem com o vodpod. Clica aqui e assista ao trailer de Capoeira Legends!. O trailer é meio aula de história, perde um pouco (acho que eles precisam de um publicitário), mas dá pra entender a proposta,  já que o projeto foi supervisionado por uma escola de capoeira. Existe a coisa do resgate da identidade e da cultura, o que não deve desmerecer a jogabilidade.

Como todo projeto nacional a preocupação não é o conteúdo mas a distribuição. Vemos jogos assombrosos de luta, mal feitos mesmo, rolando por aí.  Tive acesso a uma demonstração, mas o capítulo todo custa R$ 34,oo – de graça para o nível do projeto, pretendo comprar em breve. Quando comprar faço uma análise mais decente.

A coreografia e os golpes são bem coreografados, preciso aí de um entendido em capoeira pra saber se eles estão de acordo com a Capoeira de verdade (acho pouco provável que não esteja ok, com um mestre de capoeira por trás do projeto e dezesseis anos de trabalho duro).  Mesmo sem jogar,a chei preciso postar aqui a proposta do trabalho pelo resultado e mérito da equipe: um trabalho que aparenta excelente nível. Ainda mais pois vem um game americano (!) italiano (!!) de capoeira por aí (era pra sair no final de 2008 e se chama ”Martial Arts: Capoeira” para PC, Wii, PSP e Nintendo DS). O nosso dá pra baixar no site o primeiro capítulo e experimentar as aventuras. Vale a pena o download e esperar pelos próximos capítulos. O outro ainda não tem data pra sair.

22
Fev
09

Abelardo da Hora, seu instituto e seu Site

Bem, muita gente me pergunta onde achar informações sobre meu vô/pai (Abelardo da Hora), que é escultor e tal. Hoje em dia a maior parte dos contatos para entrevistas, materiais entre outras coisitas é feita através do Instituto Abelardo da Hora, uma OSCIP criada por ele e pela família para preservar seu acervo e promover ações culturais.

O Site do instituto é este aqui: http://www.iah.org.br/. Lá dá pra ver a proposta arquitetônica do prédio que deve ser erigido na Rua Bispo Cardoso Ayres. Para entrar em contato com ele o ideal é falar com o Diretor Executivo do IAH, Abelardo da Hora Filho, no telefone que está no site. Como o site é do Instituto fala pouco sobre ele e a wikipedia, ao contrário do que se dizem, não é nada fácil para acrescentar imagens ou dados que não  estejam em alguma fonte sobre alguém (ao contrário do que dizem).

O que pouca gente sabe é que ao lado de escultor, Abelardo é ceramista, desenhista, pintor e gravador. Um multiartista mesmo, dominando as diversas técnicas como poucos, além de professor de algumas gerações de artistas pernambucanos. Estas informações estavam antigamente em um site próprio (o www.abelardodahora.com.br) que hoje não existe mais. Tinha muitas referências, fotos, mas era um site de layout básico, antigo, feito no ano 2000. Mas ainda hoje ele dava um caldo pela velocidade para acessar as imagens. Foi feito à epoca pela creatto, com design de Daniel da Hora e mantido por muitos anos pela agência (pelo menos até a época que eu estava lá).

Escultura de Abelardo da Hora em Edifício do Recife

Escultura de Abelardo da Hora em Edifício do Recife

Muita gente não sabe também que ele continua em plena atividade hoje (do alto dos seus impressionantes 84 anos), levantando peças muito bonitas, como o “Monumento ao Maracatu” que está na praça das 5 pontas (junto do forte aqui em Recife, com direito a Dona Santa e tudo…), o “Monumento ao Frevo” (que hoje está na Rua da Aurora) e o “Monumento aos Retirantes” no polêmico parque Dona Lindu. Mas o que a maioria dos recifenses identifica como destaque da obra de Abelardo são suas maravilhosas e curvilíneas mulheres em concreto (que muitos de nós queríamos ver em carne e osso).

Bem, corujices à parte, o conteúdo dele está no ar de novo, através de um novo link. Quem quiser ver o velho site (pelo menos até um novo ser produzido) pode acessar todo este conteúdo aqui: http://www.iah.org.br/abelardo/. Uma pequena dádiva para os que querem ver raridades do artista e conteúdo relevante. Até mesmo para se preparar para entrevistas, como alguns alunos de jornalismo me consultam.

Uma parte legal do site, em esculturas é poder ver duas delas de diversos ângulos, afinal duas dimensões não é o ideal para ver esculturas, o que mostra que já no final do século passado já tínahmos tecnologia para fazer muita coisa legal na web! Para dar uma canjinhade algo novo (que não está neste site) coloquei uma foto dos arquivos da Família, pelo fotógrafo Hans Von Manteuffel, uma das disponíveis no livro sobre o artista editado em parceria com o Funcultura. Bom carnaval cultural para vocês.

19
Fev
09

Top 5 Ipod (fevereiro 2009)

Andaram me perguntando de novo o que tô escutando… Com faz tempo que deixei minha primeira lista, vai a segunda

1. Elephant Gun – Beirut

> Que duca, esse povo. A melhor coisa de Capitu foi conhecer estes caras. A letra é legal, tem um link para um clip muito legal que eles fizeram para a música – legendado, para os mais preguiçosos. Clica e vê no Youtube.

3. Tear You Apart – She Wants Revenge

> Imagine uma música selvagem. Gostei. O vídeo também é bem doido, clica e vê no Youtube.

2. Whole Wide World – Wreckless Eric
> Revi recentemente “Stranger than Fiction” e essa música ficou na minha cabeça. Descobri que o cara é um dos pioneiros do Punk Rock, mas tipo assim: um só hit em toda a vida. O mais massa é mãe dizer que a mulher da vida dele “provavelmente mora no Taiti”.

4. Contato Imediato – Arnaldo Antunes
> Meiguinha, mesmo cantada por Arnaldo Antunes. Isso é uma virtude.

5. Something Is Squeezing My Skull – Morrissey
> A volta de um Morrissey menos chato. E bombado. Acho que é crise de meia-idade.
Meu Ipod tá ficando cada vez mais doido… Muita misturada… kkk

12
Fev
09

Os 10 mandamentos das marcas emocionais (Marc Gobé)

Queria replicar um resumo de um post muito legal que vi no blog  Adscreative. Como sou fã do Gobé, não podia deixar passar batido. Taí uma boa maneira de vencer a crise.

Os 10 mandamentos das marcas emocionais, segundo Marc Góbé

1. De consumidores para pessoas - Clientes não podem ser tratados como alvos a serem atacados, é preciso construir relacionamentos com eles.

2. De produtos para experiências - Proporcionar experiências será vital, pois produtos atendem a necessidades e experiências satisfazem desejos.

3. De honestidade para confiança - Honestidade é obrigação. As marcas devem ir além, conquistando confiança, para gerar envolvimento e intimidade.

4. De qualidade para preferência - Para obter sucesso, não bastará ter qualidade reconhecida. Será preciso perseguir a preferência do público.

5. De notoriedade para aspirações - Ser conhecido não significa ser amado. Para ser desejada, a marca precisará refletir as aspirações dos seus clientes.

6. De identidade para personalidade - Para se diferenciar, além de uma identidade clara, as marcas devem ter uma proposta, caráter e carisma.

7. De funcionalidade para sentimento - Mais do que ser funcionais, os produtos devem proporcionar experiências sensoriais através do design.

8. De ubiqüidade para presença emocional - Alta visibilidade não é mais suficiente. As marcas devem buscar contatos emocionais com as pessoas.

9. De comunicação para diálogo - Mais do que discursar através da comunicação tradicional, as marcas precisam entrar na vida de seus clientes.

10. De atendimento para relacionamento - Atender bem é só uma tarefa de venda. Estabelecer relacionamentos é reconhecer a importância do cliente.

09
Fev
09

A Crise e as marcas, ou melhor, as Marcas sem crise

Em tempos de crise é comum as pessoas se queixarem que para conquistar mercado apenas preço é o que importa. É como ficar numa espécie de animação suspensa: não existe saída, a lucratividade irá cair e é melhor esperar para fazer investimentos na marca e na comunicação destas marcas. O que ninguém diz que a (na maioria das vezes) o início desta miopia está na preguiça gerencial. E isso é muito simples de entender, deixe-me contar: com a crise se vende menos e ninguém quer perder share de mercado. Para enfrentar se reduz o preço, o que reduz a lucratividade e a receita das empresas. E aí em vez de entender, investir em inovação, marcas e correr riscos é melhor cortar. Se eu cortar aquele investimento que parece inócuo em comunicação e ferramentas de alavancagem de marca eu não preciso me preocupar com todas essas outras coisas que tanto dão trabalho e exigem talento, paciência e coragem para correr certos riscos. É melhor cortar e dizer: – “Esta crise!”. Sempre vai ter um eco dizendo “É, a coisa tá séria, tá atingindo todo mundo…”. E entre balançares pesarosos de cabeça, nada além de alguns suspiros fundos vão surgir.

Parabéns aos menos ousados. Pois particularmente para estes a crise é ótima, afinal, ela é como o monstro de Lost: ninguém sabe o que é, de onde veio e o que vai fazer com fazer, mas ela quer te pegar. E quando pegar, Ahh! Quando pegar…

O que ninguém comenta é que grande marcas, sentem menos a crise que marcas fracas. Ainda melhor: marcas que firmam pactos claros com seus públicos parecem que pairam sobre a crise, acima de tudo e de todos. Quem me comentou outro dia isto aqui no Blog foi um grande amigo, Eden (clica e lê o blog ). E aí toda sorte de abobrinha de auto-ajuda empresarial é construída para vender livros e dizer como vencer nos tempos de crise… Aproveitar oportunidades… e por aí vai.

E o que pode tornar uma marca blindada? Na verdade nada “blinda” uma marca, mas investir nela a torna mais forte e cria uma identidade particular para a emprsa que transcende o produto. O problema, meus caros,  é que isto leva tempo. Construir a identidade de marca requer cuidado diário, metas claras e um gerenciamento de marketing que não permite paroquialismos e exige energia para decidir e recursos para gastar. Ninguém consegue construir e manter uma marca como MacGyver: com dois fósforos, um barbante e um chiclete.

Quando olhamos para a Apple vendendo iPhones 3G em pleno Natal da Crise, Nintendos Wii acabando nas prateleiras e a Heinz (isso mesmo, aquela do catchup) anunciando crescimento de lucros, estamos diante de uma verdade. Em tempos de crise você pode até migrar para algo mais barato. Se você achar que sua marca não vale a pena. A questão é – boas marcas sempre valem a pena: elas tem algo que o dinheiro não compra – identidade.

Acho que isso torna tudo muito mais claro e – infinitamente – mais difícil, em especial se você comparar com cortar custos numa planilha.

01
Fev
09

Eu tenho medo das Marcas: no-branding e Nomenofobia

No seu livro sobre Fobias Modernas (Modern Phobias) – traduzido no Brasil com o título questionável de “Você tem medo de quê?”- Tim Lihoreau traz uma fobia pouco conhecida mas já existente e em processo de catalogação – a Nomenofobia – fobia de marcas ou produtos com marcas. Essa espécie de “fear of brands” – o medo de marcas – seria uma espécie de Simbolofobia moderna (pois é, existe um medo irracional de símbolos, amigo). Não é brincadeira – é sério. São pessoas que tem medo ou aversão a símbolos de consumo ou identificação de procedência, conforme psicólogos. Tanto faz se de todos, um grupo deles ou apenas um específico (eu mesmo acho que tenho algum grau de Nomenophobia quando vejo a marca da Vivo… aquele bonequinho não me inspira a menor confiança).

sem marcas, sem embalagem e sem acabamentos nocivos ao ambiente.

A bolsa da Muji: sem marcas, sem embalagem e sem acabamentos nocivos ao ambiente.

Essa espécie de Brandingphobia, na verdade encontra um terreno fértil num enorme número de militantes contra as marcas. Na verdade as marcas passaram a ter tanto valor que, apesar do absurdo, passaram a ser odiadas e temidas como se fossem reais e tangíveis. O que acontece é que na verdade elas são reais. As marcas representam valores, movimentos, entendimentos, atitudes e, portanto, tem cada vez mais existência palpável para nós. Quando olhamos para o caso de Lihoreau (que por sinal está juntinho da Nomofobia, um medo irracional de celulares) entendemos que o ente marca deixou de ser um símbolo distintivo. Assim como a Simbolofobia está ligada aos símbolos, a Nomenofobia está ligada a uma dinâmica particular de símbolos, aos ligados a produtos, serviços e instituições em um mundo de produção e consumo.
Voltando ao livro, o caso citado como curioso é o da varejista japonesa Muji: que resolveu criar produtos sem marca, focados em embalagens recicladas e na verdade de consumir o produto. Na verdade quando a Ryohin Keikaku Co.,Ltd. diz que Muji significa “preços mais baixos por um motivo”, ela começa a construir um arcabouço de identidade forte para a marca cujo princípio do simples é o que impera em sua lógica de sentido. Esse Wallmart às avessas quer proudtos sustentáveis, com embalagens mais simples (ou sem embalagens), trazendo roupas confortáveis, alimentos saborosos e nutritivos e equipamentos para o lar realmente úteis e simples de se usar. Vindo do Japão – o país das gadgets – nada pode ser mais revolucionário.
E de onde vem o Muji? Não é uma marca da companhia japonesa Ryohin Keikaku? Nada disso, Muji é uma redução do lema da empresa em japonês <Mujirushi Ryhohin>,  algo como “sem marca, bom produto”. Só um porém: o que deveria ser o paraíso dos nomenofóbicos , tornou-se uma armadilha. Já que sabemos que a marca transcende o símbolo depositado e se torna real pela atitude, as embalagens minimalistas e os valores desta empresa passam a constituir uma marca. Aliás uma lógica de marca invejável para qualquer companhia que tenha como base a arquitetura da sua marca. Deixar de ser uma marca de branding, para se tornar de no-branding termina por criar uma identidade de marca tão forte quanto a existência de uma política tradicional de exposição de marcas.

Seria o branding a armadilha sem fim dos nossos tempos?




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