Bem a farra foi grande. Quem quiser ver uma amostrinha é só dar uma sacada:
Arquivo para Novembro, 2008
Um pausa para passar de idade
aniversário é tudo de bom
só para não passar em branco: mesmo tendo batido o carro, adoro aniversário. duguay.
Alex Primo Rules [academico]
Se uma coisa valeu a pena na minha estada a semana passada no ABCIBER foi conhecer melhor o trabalho de Alex Primo. O cara faz um trabalho muito legal sobre blog, partindo de um pressuposto que eu concordo totalmente. Enquanto muitos pesquisadores dizem que Blog é um gênero dentro da Web, Primo trabalha hoje para consolidar o blog como um meio e desenvolver uma tipologia de quais são os diferentes gêneros de blogs. Um trabalho bem consistente, inclusive com um base de análise extensa. Bom demais. Como se não bastasse, o cara ainda faz apresentações lindas e interessantes(valendo até um gracejo do presidente da mesa que deu pra ele o título de mago do Power Point). Mas, poxa, por que todo trabalho acadêmico tem que ser apresentado com uns slides horrorosos? Tá certo o Primo, que não cansa uma platéia com uma apresentação que em vez de facilitar o entendimento do conteúdo, dificulta. Bem, de qualquer forma vale a pena olhar no site do Primo (www.alexprimo.com) o texto publicado para o simpósio da Abciber – “Blogs e seus gêneros: Avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em língua portuguesa” e entender como foi feita a pesquisa e seus primeiros resultados.

Mesa da Abciber com Sandra Portella Montardo (FEEVALE), Alex Primo (UFRGS) e Yara Rondon Guasque Araujo (UDESC): uma das melhores do Simpósio da Abciber na PUC-SP.
Nessa mesma mesa do Alex Primo, outro trabalho legal sobre blogs, desta vez da FEEVALE (os gaúchos tão com tudo, só pra Fontanella ficar prosa): Sandra Portella Montardo veio com um trabalho sobre imagens em blogs, particularmente comentando fotologs. Gostei demais. Ela tinha presidido minha sessão onde apresentamos um trabalho sobre Mídia do Eu (CGM) com Karla Patriota. Vai valer outro post mais pra frente, para vocês conhecerem um pouco deste nosso novo trabalho.
De um jeito ou de outro valeu estar por lá e ver que estamos participando de um evento que consolida o estudo e a discussão sobre a Cibercultura no país.
Ps: Putz, ninguém fala <çáibercultura>, só falam <cíbercultura>. Me senti tão gringo…
Participei de um evento muito legal na UFPE semana passada, idealizado, realizado e “ralado” pelos alunos da UFPE. Isso é uma coisa que eu sempre admirei – o aluno ir atrás para montsr os eventos para ampliar sua formação básica na academia (tem aluno que acha que tem que receber tudo prontinho). O legal mesmo foi a fala do Flávio para mim: – “Ah, Duguay, a gente num quer aquela coisa feijão com arroz falando de planejamento, mídia, das área. Fala alguma coisa nova, tendências…”. Fiquei instigado. Tô fazendo uma pesquisa sobre os efeitos da segmentação no mundo moderno, ou melhor, sobre o nível extremo de segmentação dos mercados. Tem um poquinho de Giddens, de teoria da Segmentação, de branding… Aí fui lá com a cara e a coragem dar uma de sabido e falar sobre o assunto.
Bem, uma coisa que notei bem é que a gente tá com pouca paciência pra discutir conceitos básicos, mas são necessários. Hoje as pessoas querem partir de um conceito chave, simples e ficar por ali, ninguém quer debater os assuntos clássicos. Talvez por isso se discuta pouco ultrassegmentação e subsegmentação, que mais parecem uma segmentação revisitada – e não são.
Um trabalho do livro Branding da Atlas (bem legal por sinal) do Malthouse/Calder fala sobre estes conceitos de forma simples e muito clara – a segmentação parte da adesão ou não a uma idéia de marca (ou Brand Idea, para afrescalhar). Enquanto um segmento de mercado é um grupo-alvo, isolado de um universo maior, que se acredita ser receptivo a uma determinada Brand Idea (este grupo valoriza esta idéia de marca e são solidários nesta lógica), um subsegmento teria a mesma lógica dentro de um segmento. Seria uma fatia da fatia.
A subsegmentação parte do princípio que no mundo de saturação de marcas é preciso dividir um segmento de mercado em outros menores com índices distintos de adesão e percepção desta brand idea. Uma idéia simples mas que foi levada ao seu limite a partir da década de 1990, especialmente quando fusões e incorporações colocaram muitas marcas rivais sobre o mesmo guarda-chuva. Em vez de perder marcas, preferiu-se muitas vezes subsegmentar e dividir mercados.
O conceito de ultrassegmentação que estou construindo é um pouco distinto disto e tem implicações maiores na propaganda. A idéia deste conceito é o parâmetro extremo de modernidade que Giddens coloca em seus trabalhos. Se estamos vivendo uma modernidade extrema e a segemntação é uma conseqüência desta modernidade nos produtos e marcas, já estaríamos vivendo uma era de ultrassegmentação.
Os ultrassegmentos são segmentos de segmentos utilizando-se parâmetros híbridos: um exemplo é o uso cada vez maior de combinações demográficas e comportamentais simultaneamente. É, na verdade, uma forma extrema da subsegmentação tradicional e não um tipo diferente de segmentação ou subsegmentação. Enquanto a subsegmentação geralmente é feita a partir do uso de um princípio de segmentação em um grupo já segmentado, um ultrassegmento usa vários princípios destes combinados, criando uma relação particular única com o produto. Existe por exemplo, gente que gosta da série Jornada nas Estrelas. Existem também fans mais ardorosos. Mais quando analisamos um ultrassegemento como os trekkers, existem muitos elementos comportamentais, demográficos e etários combinados que podem defini-los, mas o conceito vai muito além de qualquer uma dessas subsegmentações. Só uma análise qualitativa e comportamental pode ajudar alguém a entender algo como isso.
A ultrassegmentação cria muitas questões para a publicidade. A primeira delas é que a subsgementação tradicional pode se utilizar muito bem de veículos de massa – e somente eles. Revistas especializadas cobrem bem muitos destes públicos. Eles podem se utilizar praticamente das mesmas estratégias de construção enunciativa que a propaganda comum, pois ela já leva em consideração questões importantes das particularidades do nosso famoso “público-alvo” (o Mr. Target). Já a ultrassegmentação não.

Não dá pra encarar um cosplayer só como um fã de animes/mangás. Existe toda uma questão que envolve este ultrassegmento que interfere diretamente em questões como publicidade.
Não dá para falar com um cara do Cosplay sem entender como ele funciona. Não dá pra entender um jogador de World of Warcraft como quem diz – predominantemente masculino, gosta de games RPG e do universo ficcional de Tolkien. É preciso uma dinâmica de planejamento de comunicação focada em informações mais precisas, e numa metodologia criativa diferenciada. Acabou a era do anúncio com título-foto-texto.
Se a perspectiva é cada vez mais customizar, cada vez mais teremos que fazer análises ultrassegmentadas. Como vai ser isso? Tem muita coisa rolando, mas de uma coisa eu tenho certeza. Fazer propaganda vai ficar bem diferente.
Nem sei se é mil coisas ou acadêmico este post. Na verdade é um mil coisas que aponta pruma série de questões acadêmicas que venho trabalhando. Num vou colocar na categoria acadêmico por que
vai ser um post rápido, e tinha prometido que ia fazer um post sobre a palestra da federal (ultrassegmentação). Bem hoje meu amigo Eden me mostrou o webgenius (dá uma olhadinha no post e no blog dele aqui). Basicamente o Web Genius é uma brincadeira de Guess Who? (adivinha quem é minha personalidade). Você pensa numa personalidade e ele propõe uma série de perguntas com respostas como sim, não, provavelmente sim, provavelmente não e até não sei. (bem mais sofisticado que a brincadeira de roda da minha época, que só valia sim ou não). O que deixa você de boca aberta é que ele acerta quase sempre. A proposta inicial do site é acertar 70% das respostas. O problema é que como ele parece ser feito a base de ontologias auto-alimentáveis, quanto mais as pessoas usam, mais preciso ele fica. Um assombro, divertido. Quando acessar, portanto, teste primeiro com o básico – uma celebridade ou artista conhecido – e vá aumentando a dificuldade. Os resultados são muito legais, ou assustadores, como diz Eden em seu blog.
Só um comentário: num esqueçam de dizer se ele acertou ou errou no final, pois, pra completar, o programa aparenta aprender com os próprios erros, ao contrário de alguns alunos meus da graduação, o que já mostra que ele dá um banho em muito marmanjo. Para acessar o web Genius clique aqui. Basicamente o programa parece misturar perguntas propostas pelos internautas, com ontologias e com busca com um certo grau de inteligência artificial. Pode ser diferente (num sei vou pesquisar). Mas é divertidíssimo. Todo em inglês, mas legal mesmo pra quem tem um inglês básico.



