Bem, estou oficialmente velho. Tinha ido ao médico há cerca de um mês (um oftalmologista) por conta de umas dores de cabeça. Eu me lembro de ter ido ao oftalmo umas duas vezes e nunca ter sido reprovado no teste do Detran, bem… Mas estava vendo coisas embaçadas etendo umas dores de cabeça. Não deu outra: o doutor disse que precisava de óculos. Relutei. Pedi inclusive para Érica para procurarmos outro medico, no que ela retorquiu com muita ênfase: – “ninguém pede segunda opinião de um grau de miopia”. Pois é amigos: sou míope e astigmata. Miopia: 1 grau num olho e 0,50 no outro. Neste que só tem meio de miopia tem 0,75 de astigmatismo, mas no outro tem só meio. Menos mal.
Como alguém fica míope… Eu na minha ignorância achei que era algo congênito, você nascia e pronto. (Respiro fundo). Mandei fazer meu par de algozes: duas lentes Transitions amarradas numa armação estilosa que Keka escolheu: – “nem muito sérias, nem fashion demais – que fica gay”. Bom marido e ouvinte, obedeci.
Hoje vivi momentos de deslumbramento ao usar o novo óculos: como as coisas ficam nítidas e lindas… As cores parecem mais vivas… Era cego e não sabia. Me senti como os acometidos da cegueira branca de Saramago, emergindo, só que vendo um mundo lindo e maravilhoso (ou seja, me senti como eles, ao contrário).
Tiro o óculos. Boto o óculos. Olho e sorrio para as pessoas. Não é à toa que tantas vezes as pesoas diziam que passavam por mim e eu não via. Dizia que era distraído. Tá bem – eu sou distraído – mas descobri que mais que isso era cego. Se a sensação é assim com 1 mísero grau de miopia imagine os graus maiores…
Não são tão confortáveis assim, mas pelo menos os óculos me passam um falso ar de mais sabido e sério. “Vão ser bons para os negócios”, consolei-me num acesso de Pollyana. Que pena que as meninas do Leblon não vai mais olhar pra mim. Pior pra elas. Eu vou poder olhar para todas elas, no entanto. De longe… e vendo tudo.


