Arquivo para Outubro, 2008

16
Out
08

As garotas do Leblon não olham mais pra mim: eu uso óculos.

Bem, estou oficialmente velho. Tinha ido ao médico há cerca de um mês (um oftalmologista) por conta de umas dores de cabeça. Eu me lembro de ter ido ao oftalmo umas duas vezes e nunca ter sido reprovado no teste do Detran, bem… Mas estava vendo coisas embaçadas etendo umas dores de cabeça. Não deu outra: o doutor disse que precisava de óculos. Relutei. Pedi inclusive para Érica para procurarmos outro medico, no que ela retorquiu com muita ênfase: – “ninguém pede segunda opinião de um grau de miopia”. Pois é amigos: sou míope e astigmata. Miopia: 1 grau num olho e 0,50 no outro. Neste que só tem meio de miopia tem 0,75 de astigmatismo, mas no outro tem só meio. Menos mal.

Como alguém fica míope… Eu na minha ignorância achei que era algo congênito, você nascia e pronto. (Respiro fundo). Mandei fazer meu par de algozes: duas lentes Transitions amarradas numa armação estilosa que Keka escolheu: – “nem muito sérias, nem fashion demais – que fica gay”. Bom marido e ouvinte, obedeci.

Hoje vivi momentos de deslumbramento ao usar o novo óculos: como as coisas ficam nítidas e lindas… As cores parecem mais vivas… Era cego e não sabia. Me senti como os acometidos da cegueira branca de Saramago, emergindo, só que vendo um mundo lindo e maravilhoso (ou seja, me senti como eles, ao contrário).

Tiro o óculos. Boto o óculos. Olho e sorrio para as pessoas. Não é à toa que tantas vezes as pesoas diziam que passavam por mim e eu não via. Dizia que era distraído. Tá bem – eu sou distraído – mas descobri que mais que isso era cego. Se a sensação é assim com 1 mísero grau de miopia imagine os graus maiores…

Não são tão confortáveis assim, mas pelo menos os óculos me passam um falso ar de mais sabido e sério. “Vão ser bons para os negócios”, consolei-me num acesso de Pollyana. Que pena que as meninas do Leblon não vai mais olhar pra mim. Pior pra elas. Eu vou poder olhar para todas elas, no entanto. De longe… e vendo tudo.

14
Out
08

Saturação de marcas: quando a emoção vence [academico]

Ontem estava com Moema Luna e uma equipe de jornalista numa mesa redonda sobre marcas no Jornal do Commercio. Discussão muito legal que vai sair no encarte do JC Recall de Marcas. Quanto aos vencedores… surpresa, né! Só quando sair a publicação em novembro. Também estavam lá os professores Salomão da UFPE e minha querida Michelle Kovaks, colega de longa data. O papo sobre marcas foi longe, daí minha vontade de fazer meu comentário novo no Blog.

Estou vendo um livro ótimo do Marc Gobé (quem gosta de marcas e não viu nada dele, precisa ver). Ainda não está traduzido para o português, mas devem se animar logo para trazer algo dele. O livro chama-se Brand Jam, e fala antes de tudo sobre a saturação das marcas no mundo contemporâneo. Mas, mais que mostrar o problema, Gobé fala sobre como a relação emocional que as pessoas tem com suas marcas é capaz de driblar esta saturação e criar uma relação entre pessoas e empresas, numa instância de mercado muito mais plena e complexa do que a escola feijão-com-arroz dos 4 Ps.

Para quem não conhece Gobe ele já teve um de seus livros editados por aqui – o emotional branding (em português ficou “A Emoção das marcas” – uma tradução muito infeliz por sinal). Gobé é diretor da brand Image http://www.brand-image.com/, citada como das maiores empresas de criação de imagem de marcas. Com seu design emocional de marcas hoje, já atendeu a clientes bem inexpressivos como Coca-Cola, IBM, Reebok, Lancôme, Starbucks e Gillette, portanto vale a pena ouvir o que ele tem a dizer. Gobé traz um material que não é só blabla acadêmico, mas um texto inteligente de quem tem 25 anos de vicência no mercado.

Para Gobé criar relações entre as pessoas e as marcas é fundamental, pois as marcas tem um papel fundamental nas relações pessoais do homem contemporâneo. Quem já leu livros com “SEM LOGO”, tem uma impressão muitas vezes negativa do império das marcas, como algo imposto à sociedade que se transforma numa espécie de massa submissa ao consumo. Gobé coloca de forma muito lucida que, ao contrário, a marca emocional parte muito mais de uma necessidade que as pessoas colocaram às corporações que o contrário.

Apesar de ir muito além que as linhas deste post o que queria colocar para pensar aqui é: num mundo onde a competitividade é extrema e os produtos se parecem demais, pensar em design emocional de marcas deixa de ser uma proposta de futuro para ser uma questão de sobrevivência. Quem viver, verá.

12
Out
08

Age of Conan: Jogabilidade que promete

Bem, estou firme e forte no meu novo objeto de estudo (kkkk)  - Age of Conan. O Age é um MMORPG que pega carona no Universo mítico do Bárbaro Conan (aquele mesmo, que teve o velho filme do Schwarzenegger).

Para os não-iniciados neste clássico, Conan foi criado pelo escritor  Robert E. Howard em 1932 e tem mais de dezenove histórias que foram adaptados a partir da década de 1970 para quadrinhos pelo Marvel. Apesar do gênero fantasia heróica ter sido consolidado com Conan, no reino dos games nunca tinhamos tido uma adaptação à altura.

Age of Conan, que se passa na era Hiboriana (tanto que o subtítulo do game é Hyborian Adventures) uma época pré-glacial anterior ao registro da história conhecida, cerca de uns doze mil anos de hoje.  O universo é bem reconstruído, gráficos excelentes e os fãs de Conan não irão se decepcionar – muito testosterona e violência sanguinolenta estão no cardápio do Game. Aliás, sangue é o ponto alto do jogo, com cabeas que rolam, jatos de sangue e pancadaria da boa. Como não podia faltar numa franquia de Conan, mulheres lindíssimas e semi-nuas estão por todos os lados,  lado a lado com monstros horrendos, feras e mortos-vivos.

A jogabilidade no entanto é um capítulo a parte: com combos e fatalitys jogar conan requer bem mais técnica nas lutas o que irá agradar aos mais exigentes. As vezes três, quatros notões são necessários para um golpe mais poderoso, o que privilegia a técnica em detrimento da sorte. Aqueles que gostam de apertar botões para lutar como quem tem epilepsia também não terão vez.

Infelizmente o jogo ainda tem muitos bugs… espero que melhorem a maioria deles em breve. Mas nada que não torne pelo menos os primeiro quarenta níveis uma diversão particularmente interessante.

06
Out
08

Um adeus para Italo

Morreu ontem Italo Bianchi, o seu Italo como muitos de nós, mais novos, aprendemos a chmá-lo. Não que ele gostasse ou fizesse questão de pompa. Com certeza, Italo, foi o nome maior da publicidade pernambucana no século XX, não apenas pela notoriedade e respeito que alcançou no mercado nacional, mas particularmente por sua incrível capacidade de formar novos e grandes talentos. Tinha uma grande admiração pelo conhecimento, e fazia com que os que estivessem ao seu lado compartilhassem deste sentimento. Artista e apaixonado pela história das artes plásticas, ministrou algumas turmas de um fantástico curso sobre o tema para publicitários – uma delícia vê-lo falando… dava vontade de ficar o dia todo só ouvindo.

Levava a língua e a publicidade a sério. Certa vez, ainda estava na Creatto (nesta época prestava consultoria a Ampla), mandou um fax para agência reclamando da grafia dos pratos em italiano de uma pizzaria que atendíamos à epoca. Primeiro fiquei cismado: – que é que ele tem com isso… Com pouco tempo percebi que aquele homem levava muito, muito a sério tudo o que fazia. E me mandou mais um texto me dando uma lição de italiano, português e – de quebra – de culinária.  Só com uma coisa não tinha muita paciência – gente limitada, talvez daí a fama de mal-humorado. 

Aos 84 anos, o mais pernambucano dos italianos foi vítima de um câncer no pulmão. Italo trabalhava nos últimos tempos como consultor de comunicação da Maurício de Nassau, além de ser cronista bissexto. É daqueles homens que você, mesmo que vendo poucas vezes, consegue esquecer muito pouco. 

Com certeza deixa amigos e muitas saudades.




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